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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O Abutre

O Abutre (no original, Nightcrawler) tem fotografia precisa e roteiro afiado. Conta ainda com uma das principais atuações da carreira de Jake Gyllenhaal, que se transforma ao viver Lou Bloom.

"Eu quero imagens. Põe na tela"

Lou Bloom é um cameraman autodidata que vive de registrar crimes chocantes para os telejornais locais.

"Cadê o Comandante Hamilton?"

Um sujeito desprezível do primeiro ao último minuto do filme, sem sequer uma tentativa de humanização. É o tipo de vizinho que você certamente evitaria no elevador.

"O crime imita a arte"

O saldo das ações de Bloom para alcançar sucesso profissional não deixam o protagonista de O Abutre distante de qualquer vilão de respeito, a começar por adulterar duas cenas de crimes.

"É um covarde, canalha e monstro"

Apesar de tudo, o ótimo filme não foi suficiente para garantir ao filme de estreia de Dan Gilroy como diretor um papel de destaque na mais recente premiação do Oscar.

"Me ajuda aí, pô"






Ps. As frases soltas são de apresentadores verdadeiros do jornalismo espreme que sai sangue em que Bloom atua.

domingo, 19 de outubro de 2014

O Homem Duplicado




O cenário era desafiador para uma dupla de cinéfilos. Após assistir uma luta típica do Lyoto Machida (sonolenta!), com aqueles horários bacanas do UFC (todas as lutas são na madrugada), o objetivo era encontrar um filme bom para finalizar bem à noite, ou no mínimo para acordar e voltar sem sono para a minha casa – evitando assim uma tragédia no trânsito. 

Zapeando pelas milhares de opções da tv a cabo, eu e meu amigo demos de cara com O Homem Duplicado. “Que filme é esse? Você conhece?” “Não faço a mínima ideia. Abre a sinopse aí”. Esse foi o nosso grande erro da noite. Nas informações do filme constavam os nomes do diretor Denis Villeneuve e do ator Jake Gyllenhaal, a mesma dupla do ótimo filme Os Suspeitos. Ainda de bandeja, estava escrito que o filme era baseado numa obra de José Saramago. Agora eu pergunto. Tem como esse filme ser ruim? Infelizmente, teve sim... e como teve.

O filme começa com algumas cenas estranhas de sexo. Logo após somos apresentados a Adam Bell (Gyllenhaal), um tímido professor de história que, ao alugar um filme, encontra um ator coadjuvante que parece ser seu irmão gêmeo.


Assustado e espantado (e todos os sinônimos que aparecem no word como sugestão), o professor resolve ir atrás do tal ator e descobre que  o nome verdadeiro dele é Anthony Claire. Depois de muito silêncio e observações, os dois acabam se encontrando e ambos criam uma fixação estranha pelo outro, principalmente pelas suas nítidas diferenças.  


Mesmo com desejos opostos, uma vontade parece dominar os dois; viver a vida do outro sem ninguém desconfiar. Isso poderia até dar um gás no filme, só que não adianta em nada. E quando você acha que vai, que cria várias teorias, o filme simplesmente acaba! Eu sempre me considerei um cara que manja de filmes, mas juro que tive que procurar no google para entender o final. Pode colocar essa bomba naquela lista de filmes que acham que são de “arte” e por isso não precisam explicar muita coisa. Não assistir é quase uma obrigação.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Os Suspeitos

Um dos grandes problemas dos dias de hoje é o sequestro de crianças. Analisando friamente, o desaparecimento é muito pior do que a própria morte. A incerteza e dúvida do que pode ter acontecido com o sequestrado deve corroer o mais esperançoso dos corações. Pesado o assunto? Pois é assim que Os Suspeitos deve ser encarado.

As vezes é bom assistir um filme mais sério para nos lembrar que a vida não é um mar de rosas. Infelizmente, existem muitos vilões pelo mundo, espalhando o mal e fazendo várias vítimas. Esta maldade fria e sombria e suas consequencias é o grande pilar deste filme.

Tudo começa em pleno feriado de ação de graças. Numa cidadezinha pacata do interior do EUA, duas crianças desaparecem deixando poucas pistas. O policial encarregado do caso, Loki (Jake Gyllenhaal), logo encontra o principal suspeito Alex (Paul Dano), mas não consegue tirar muitas informações porque o jovem tem vários problemas psicológicos.


Sem provas concretas, o detetive é obrigado a soltar o suspeito, o que deixa Keller Dover (Hugh Jackman), pai de uma das crianças, muito revoltado. Obcecados em achar as meninas que sumiram, Loki e Dover seguem, cada um por si, a sua própria investigação. Só que um fica dentro da lei e outro não.



Algumas questões morais são levantadas, principalmente quando paramos para analisar o filme após o seu término. A sensação que fica é que todas as regras e bom senso são deixados de lado quando uma grande tragédia acontece, mas não necessariamente é o caminho certo a ser seguido. Com uma direção sem inventar muito e fazendo seus personagens exporem reações que acontecem realmente, o novato diretor Denis Villeneuve entrega um ótimo filme, fazendo com que o espectador sofra e torça muito durante as quase 3 horas de filme.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Marcados Para Morrer



Engana-se quem acredita que o estilo de filmagem “câmeras encontradas” se restringe aos filmes de terror e suspense. O diretor de Marcados Para Morrer, David Ayer, mais conhecido pelo seu trabalho como roteirista em Dia de Treinamento (2001), também utilizou – em grande parte do filme - esta maneira estética para contar uma história de policial, mundo em que ele parece se sentir bem confortável.


Brian Taylor (Jake Gyllenhaal) e Mike Zavala (Michael Peña) são uma dupla de policias de South Central, bairro extremamente violento de Los Angeles. A vida de ambos são extremamente opostas. Sem estudos, Mike é um latino pai de família que viu na carreira policial sua única forma de sobreviver honestamente. Brian, por sua vez, é um ex-militar solteirão que conhece a inteligente e graciosa Janet (Anna Kendrick).

Depois de Brian explicar que filmará a rotina dos dois para um trabalho de faculdade, somos imersos numa realidade onde medos, desejos se misturaram com amor, dever e camaradagem. Os dois enfrentam de peito aberto os problemas diários de um policial e acabam se saindo muito bem.


Com a vida profissional e pessoal  evoluindo, começa a vir o medo da perda familiar ou da morte do parceiro. Mesmo com tantos temores, os dois acabam investigando por conta própria um terrível cartel mexicano e cada sucesso na investigação deixa a vingança dos bandidos mais perigosa e mortal.


Eu li uma vez que o filme Tropa de Elite deixou as pessoas impressionadas com a seriedade do trabalho e com tanta vontade de combater o crime que fizeram o número de inscritos ao BOPE aumentarem muito. Acho que após as exibições de Marcados Para Morrer também deve ter acontecido fenômeno parecido nos EUA. No final das contas este é um filme que mostra a luta do bem contra o mal, na forma de pessoas normais. Uma batalha onde infelizmente nunca terá um fim.