terça-feira, 15 de julho de 2014

47 Ronins


Inacreditável o número de histórias antigas de coragem e honra que existem no mundo. Cada país ou cidade tem uma diferente. Muitas delas servem para inspirar o povo, dar força para grandes lutas ou somente para serem usadas em teorias de conspiração. O que todas têm em comum é o fato de que sempre podem ser usadas em roteiros cinematográficos. Os filmes inspirados em histórias antigas sempre sofrem tentando equilibrar a trama real com as necessidades cinematográficas. Porém, em 47 Ronins, este sofrimento não é tanto. Desde o começo percebemos que a história será repleta de seres e elementos fantásticos que deixariam até o habitante mais antigo de São Thomé das Letras desconfiado. 

No filme, tudo começa quando o Lorde Asano Naganori encontra uma criança mestiça e resolve criá-lo junto com o seu clã. Recebendo o nome de Kai, o garoto cresce (Keanu Reeves) como um párea, mas mesmo assim consegue cativar Mika, a filha de Asano. 


Durante uma pré-visita do Shogun do Japão, eles recebem o Lorde Kira, um rival que secretamente deseja governar toda a região. O trunfo de Kira é a sua parceira, Mizuki, uma bruxa que usa seus poderes para enganar o próprio Asano Naganori e fazer com que ele caia em desgraça perante ao Shogun. Como no Japão a honra é primordial para qualquer ação em vida, Asano comete o seppuku (suicídio japonês), seus samurais viram ronins errantes e seu principal general, Oishi, é preso. Resumindo, problemas não faltam.

Obviamente depois de um tempo é claro que Oishi, Kai e os outros ronins vão atrás de vingança contra o tal Lorde Kira. Duelos de espada e sangue não faltarão na trilha dos guerreiros. O que não falta também é a certeza de que este é mais um filme que você precisa assistir sem se importar com as críticas negativas. Eu achei um filme muito bom.  Principalmente porque entendi desde o começo que ele tinha essa “pegada” mais fantasiosa. Enfim, fica a dica positiva caso você também queira se aventurar no Japão Medieval.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

12 Anos de Escravidão


 
Um dos temas que a humanidade irá se envergonhar eternamente será o racismo. Não existe nada mais abominável que o preconceito racial e suas ramificações. Não existem argumentos lógicos ou religiosos que justifiquem tamanha crueldade, simplesmente é algo inaceitável. O mais triste desta história, é lembrar que o racismo ainda existe, e que ele não ficou enterrado num subconsciente maldito e retrogrado. Como diria o outro “assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade”.


O filme 12 Anos de Escravidão, do diretor Steve McQueen (Shame), conta a história verídica de Solomon Northup, um negro livre, que como o nome do filme diz, passou doze anos sendo escravo.  A história começa em 1841, quando Solomon (Chiwetel Ejiofor) casado e pai de dois filhos recebe uma proposta de emprego para cruzar o país tocando violino. Sem desconfiar de nada, ele aceita. Mas durante uma bebedeira, os tais empregadores o drogam e o deixam para ser vendido como escravo.
 
Sem seus papéis que comprovam ser uma pessoa livre, Soloman fica totalmente a mercê dos capatazes que mudam o seu nome para “Platt” e o vendem para uma fazenda em Nova Orleans, comandada por William Ford (Benedict Cumberbatch). Só que Ford tenta tratar bem os seus escravos o máximo que pode. Essas atitudes criam um bem estar invisível e Northup começa a ajudar o patrão cada vez mais. Quem não gosta disto são os capatazes de Ford e eles começam a perseguir o escravo. Temendo o pior, Ford repassa “Platt” a Edwin Epps (Michael Fassbender).
 
 

Neste novo “período” de sua vida escrava, Northup lidará com um louco, um louco religioso que acredita que a escravidão é um direito divino. A interpretação de Fassbender não deixa o telespectador ficar relaxado um segundo se quer. Suas atitudes mostram o quanto era absurda a questão da escravidão e como os homens da época eram escravos de seus próprios dogmas.
 

Imagina viver sem liberdade e nem mesmo poder usar o seu nome verdadeiro, eu pelo menos não consigo imaginar isso. Espero sinceramente que todo esse sofrimento tenha alguma explicação divina que eu não consigo entender no momento. Como eu disse no começo, este é um dos temas que a humanidade irá se envergonhar eternamente.

sexta-feira, 28 de março de 2014

A VIDA SECRETA DE WALTER MITTY


Quando eu estava planejando assistir A Vida Secreta de Walter Mitty, eu fui indagado por uma amiga se este era mais um filme de comédia boba com o Ben Stiller. Eu já sabia a resposta antes e, agora após assisti-lo, eu posso dizer publicamente que de bobo ele não tem nada. Dirigido, produzido e estrelado por Stiller, o filme faz um contraste entre imaginação fértil e vida real, mostrando a saga de um personagem se redescobrindo e tentando viver a vida em vez de ficar somente sonhando.

Walter Mitty (Ben Stiller) é um tímido solitário que trabalha na seção de negativos da revista Life. Enquanto vive entre devaneios e tentativas amorosas pela internet, ele recebe a notícia que a revista migrará para o meio online, ou seja, acabará.

No meio desta transição, o fotógrafo mais conceituado da revista, Sean O’Connell (Sean Penn), envia diretamente para Mitty uma série de negativos. Durante uma reunião de pauta, o diretor – mala – encarregado de realizar as mudanças na revista avisa que Sean mandou uma foto especial para a última capa, o negativo 25, que captura toda a “quintessência” da vida.  O problema é que a tal foto sumiu e Mitty não faz ideia de onde ela esteja. O lado bom é que este fato religa Mitty, ele analisa as outras fotos enviadas e descobre pistas de onde O’Connnel pode estar e embarca até o outro lado do mundo para encontrar o fotógrafo. Mais do que encontrar uma fotografia, Walter viverá uma aventura de verdade e redescobrirá o seu eu interior.

Pode parecer que o filme tenta dar uma lição para aproveitar a vida viajando, vivendo e curtindo, mas, para mim, ele é mais do que isto. Em determinada cena, o protagonista escuta de sua mãe, “somos adultos”, e isso realmente justifica muita coisa. Ele abrange escolher os caminhos que seguimos e encarar as consequências dos nossos atos. Ser adulto é viver todos os gargalos diários, ter força e maturidade para ligar o foda-se quando achar necessário e correr atrás somente do que te faz feliz. Pode parecer uma coisa óbvia, mas acredite, nem sempre o óbvio é fácil de ser levado a sério. Por isso, alguns filmes podem ser considerados uma verdadeira ida a terapia…às vezes, escrever sobre filmes também tem o mesmo poder!

CLUBE DE COMPRAS DALLAS


Clube de Compras Dallas é mais um daqueles filmes que estréia perto do Oscar pronto para levar alguma estatueta importante. Na minha sincera opinião, acho que neste caso estamos falando da categoria de melhor ator. A atuação de Matthew McConaughey é completa. Sua excessiva perda de peso até a forte caracterização texana são tão cativantes que fazem qualquer espectador assistir este filme até o final. Para entender melhor a dificuldade desta atuação, basta ler o pequeno resumo abaixo.

Baseado numa história real de 1985, Clube de Compras Dallas mostra a vida de Ron Woodroof, um eletricista que vive sua vida realizando apostas ilegais, consumindo muitas drogas e se relacionando com qualquer tipo de mulher. Só que durante um exame no hospital sua vida muda completamente, ele descobre que está com AIDS e seu estado é terminal.

Sem conhecimento da doença e achando que só homossexuais podiam pegar, inicialmente ele não acredita nos médicos. Mas contra fatos não existem argumentos e com o passar dos dias ele realmente percebe que está doente. Só que aceitar a doença não traz a cura ou alivio. Por causa de seu estado terminal, o hospital se recusa a colocá-lo como cobaia dos novos remédios e tratamentos.

Recusando-se a morrer sem lutar, ele então começa a tentar todos os tipos de tratamentos exóticos. Numa viagem para o México, ele experimenta alguns remédios naturais e sua saúde melhora bastante. Reabilitado, ele descobre que os comprimidos que o ajudaram são proibidos no EUA e começa a traficá-los para uso pessoal e para vender para outros infectados. Óbvio que os grandes laboratórios não gostam e uma grande luta por justiça e lucro (dos dois lados) tem início.


Grandes atuações são necessárias para contar dramas reais. A cada cena McConaughey consegue superar qualquer crítica negativa que ele recebeu em sua vida. Vale a pena também destacar a atuação que Jared Letto faz interpretando um travesti, os dois realmente se superaram. Particularmente eu não esperava que eles fossem capazes disso. Posso estar enganado, mas tenho quase toda certeza que este ano a estatueta de melhor ator já tem dono (pode dar um print).
 

R.I.P.D. – AGENTES DO ALÉM


Eu poderia começar este texto falando que R.I.P.D. – Agentes do Além é mais um filme inspirado numa história em quadrinhos e destrinchar as principais diferenças entre o gibi e a versão cinematográfica. Só que um pequeno detalhe me impede de fazer isto…eu não li a revista, ou seja, matei o meu primeiro parágrafo sem oferecer grandes novidades. Mas não desistam ainda do texto, prometo fazer um resumo bom da história.
Nick Walker (Ryan Reinolds) é um policial que vive com sua namorada,Julia, sem muito luxo e com poupas expectativas financeiras. Após uma apreensão policial, ele e seu parceiro, Bobby Hayes(Kevin Bacon), encontram muito mais do que drogas e bandidos, eles acham ouro. Tentando melhorarem suas vidas, ambos os policiais combinam em dividir o espólio e não contar para ninguém.

Mas a velha e boa dor na consciência faz com que Nick reconsidere o ato errado. Só que infelizmente o seu parceiro não faz o mesmo e, durante uma tentativa de capturar um bandido, Hayes aproveita a confusão para matar Nick e mandá-lo direto para o céu. Bom, na verdade ele não vai diretamente ao encontro de deus, o policial arrependido acaba sendo recrutado pela R.I.P.D, um departamento de policiais do além que patrulham os espíritos bandidos.

Para se habituar com a nova vida, Nick vira parceiro do veterano Roy Pulsipher (Jeff Bridges). É ele que explica alguns detalhes básicos da área de atuação, como por exemplo, as pessoas vivas enxergam os dois totalmente diferentes de como eles são; Roy vira uma loira incrível aos olhos dos vivos enquanto Nick é um velinho oriental (“David Lopan”).


O primeiro caso que a dupla precisa resolver pode ser também o último. Eles descobrem que a morte de Nick faz parte de um estrategema muito maior, que se concretizado significará o fim da barreira que separa os vivos dos mortos. Apesar do filme ser curto eu gostei. Alguns olhos mais exigentes podem vir com críticas ácidas e melodramáticas, só que a história curiosa, muitos efeitos diferentes de câmera e dois atores afinados com seus lados cômicos são ótimos argumentos para eu afirmar veemente que a diversão está garantida em R.I.P.D – Agentes do Além.

INVOCAÇÃO DO MAL


Não sei o que é mais inacreditável, achar finalmente um filme atual que provoca pequenos sustos e causa alguns arrepios ou tentar lembrar qual foi a última vez que uma história de terror me proporcionou as mesmas sensações. São nestes questionamentos, feitos geralmente naquela hora que você está saindo do cinema, que eu percebo como o gênero de terror está sem credibilidade.

Após o burburinho que Invocação do Mal causou, eu resolvi assistir ao filme com um grande amigo que adora duas coisas; séries de tv e Villa Country. Céticos e descrentes entramos no cinema e tivemos o primeiro susto, uma trupe de adolescentes barulhentos bem na nossa fila (Acho que vale um parêntese sobre isto, esses jovenzinhos que vão assistir filmes de terror em galera disfarçam o medo que sentem com as risadas e gozação excessivas, além de que usam o cinema como pretexto para pegar a bonitinha do colégio… enfim, um risco que todo espectador de salas comercias famosas podem sofrer). E como não é novidade, porque eu falei no parágrafo anterior, o filme realmente merece essa repercussão positiva. Apesar de ser um terror bem psicológico ele entrega o que promete, ou seja, muitos sustos.

Inacreditavelmente o filme é baseado em fatos reais, o que ajuda a aumentar o clima de suspense e medo, óbvio que rola alguns exageros que com certeza não aconteceram, mas na cadeira do cinema isto acaba não importando. A história acompanha o casal de investigadores paranormais Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) desvendando alguns mistérios sinistros, até que, em 1971, eles se deparam com o pior caso que eles enfrentaram ao longo de toda a sua carreira….

Tudo começa quando Roger e Carolyn se mudam, com suas cinco filhas, para uma casa no meio de um mato estranho. Não precisa de uma noite sequer para os fatos sombrios começarem a acontecer. Sons estranhos, objetos se movendo, animais morrendo vão acontecendo e a família vai levando tudo na normalidade, até que realmente alguns fantasmas começam a aparecer, deixando a família mais do que apavorada. E quem é convocado para ajudar? É claro, o casal Warren.

Ufa, usei quase todos os adjetivos ligados ao mundo sobrenatural que eu conheço para escrever estes pequenos parágrafos. A real é que o filme merece ser visto tanto por quem tem medo ou para quem se acha valentão.  O diretor James Wan, do primeiro Jogos Mortais (único que presta da série), vai se firmando como um talento para os filmes do gênero. De lambuja, ainda no final do filme rola uma menção interessante a outro grande clássico do terror, Amityville.

GRAVIDADE


Claustrofóbico, angustiante ou qualquer outro adjetivo relacionado com tensão excessiva se encaixam perfeitamente com este novo filme de Alfonso Cuarón: Gravidade. O diretor mexicano conseguiu apresentar uma experiência única ao recriar, usando imagens e efeitos incríveis, um ambiente tão hostil e mortal como o espaço. Sinceramente, duvido que alguém consiga assistir Gravidade e não se envolver com a história.

Não existe uma grande complexidade na trama, o filme mostra uma equipe de astronautas da NASA fazendo reparos num satélite no espaço. Entre uma piadinha e outra, o grupo é avisado urgentemente que destroços estão indo em sua direção.

Sem tempo suficiente de escapar, eles são atingidos e sofrem consequências mortais, deixando o experiente Matt Kowalski (George Clooney) e a novata doutora Ryan Stone (Sandra Bullock) a mercê do silencioso espaço sideral.

Diferente de outras histórias que conhecemos muito bem o território, o espaço é algo inédito para a maioria (inclusive, continuará deste jeito). Por isso, o apelo visual deste filme é muito forte. Ele é extremamente necessário para todo o entendimento e envolvimento.


Só que esta enorme dependência visual não me deixa entusiasmado em dizer que este é um dos melhores filmes do ano e blá blá blá. Acredito que Gravidade é um filme muito bom, mas só. Eu nunca o indicaria a tantos prêmios como o Oscar 2014 fez. Um filme de Oscar precisa de algo a mais, se apoiar em boas atuações, não sei….talvez eu esteja começando a ficar mais exigente quando o assunto envolve filmes.

FRANKENSTEIN – ENTRE ANJOS E DEMÔNIOS


O comercial de Frankenstein – Entre Anjos e Demônios na televisão tentou aumentar um pouquinho a popularidade do quadrinho que ele é baseado. Eu não estou entre os maiores especialistas de HQs, mas também não sou nenhum neófito para acreditar que esta é a história em quadrinhos mais popular que existe. Com certeza a ideia de incluir esta frase veio da cabeça de algum brilhante diretor de marketing. Talvez por perceber a qualidade ruim do filme ou por se tratar de mais um ser ignóbil tentando lucrar com assuntos que ele não tem o mínimo conhecimento.

Este filme tem uma história tão sem pé nem cabeça que em determinado momento eu achei que estava assistindo Constantine. Os criadores quiseram colocar o lendário personagem numa trama tão fora de sua realidade que o máximo que eles conseguiram foi remexer na minha fúria crítica que estava adormecida e bem guardada.

Tudo começa com aquela origem que todo mundo conhece. Só que em vez de desaparecer junto com seu criador, Frankenstein (Aaron Eckhart) descobre que o nosso planeta é palco de um grande embate entre gárgulas e demônios. Enquanto um lado deseja usá-lo como arma para o bem o outro lado tem interesses escusos nele. Sem querer tomar parte da guerra, Adam – nome que ele recebe da rainha dos gárgulas – resolve caçar sozinho os demônios e viver isolado do mundo.

Só que depois de vários anos ele retorna para consumar sua vingança. Sua capacidade de aniquilar os seres do mal está maior, mas a percepção dos fatos continua zuada… mesmo depois de tanto tempo escondido, os demônios ainda tem planos que ele nem desconfia… Óbvio que toda esta trama colocará o destino do nosso plano astral mais uma vez em xeque.

Um tempo atrás eu fui acusado de pegar muito leve nas minhas críticas. Eu fiquei pensando sobre isso. Será que é porque a minha vida estava ótima ou por que eu já assisti tantos filmes que deixei de ser exigente sempre esperando algo fenomenal? Acho que nenhum dos dois, eu simplesmente acredito que filmes são divertimentos e, pensando deste jeito, eu fico satisfeito na maioria das vezes… achei convincente a minha explicação.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O Jogo do Exterminador

Pode me chamar de falso nerd ou de andarilho desta cultura que eu tanto admiro, mas admito que nunca li nenhum livro de Orson Scott Card, autor e criador das histórias de Ender Wiggin e, considerado, um dos melhores escritores do gênero. Na literatura, tudo começou com 


O Jogo do Exterminador, assim como agora no cinema. Dirigido por Gavin Hood, esta adaptação homônima apresenta uma boa história de ficção científica com grandes possibilidades de se estender por mais alguns filmes.

Como a maioria das histórias de ficção científica, esta também começa há muitos anos adiante no futuro. Em 2086 o planeta Terra é atacado pela raça alienígena Formic. Quando estávamos quase sendo derrotados, somos salvos após o sacrifício do Comandante Mazer Rackham.

Para evitar um novo ataque, as forças militares começam a recrutar crianças com grandes capacidades de estratégia para treiná-las nas melhores táticas de guerra e, assim, se tornarem a principal defesa contra os alienígenas.


Apesar da pouca idade, o cadete Andrew “Ender” Wiggin (Asa Butterfield) começa a se destacar aos olhos do Coronel Hyrum Graff (Harrison Ford). Para Graff, Wiggin tem todas as qualidades e potencial para se tornar o novo comandante da frota. É claro, que mesmo achando isso, o caminho do jovem mancebo não será nada fácil, pelo contrário, ele será testado muito mais duramente para provar que merece liderar toda a frota.



O Jogo do Exterminador pode até parecer infantil, mas seu conteúdo e questões morais não deixam ele se tornar exclusivo ao público mais jovem. Talvez por esta ligeira empolgação, eu tenha conseguido escrever este texto rapidamente após assistir o filme. Como observação final, acho curioso como as tecnologias de produção cinematográficas estão evoluindo num ritmo acelerado. Será, cada vez mais comum, termos adaptações literárias que antes pareciam impossíveis de serem realizadas com qualidade. Espero somente que o hábito da leitura continue e que não seja substituído por somente assistir a versão em filme.

Carrie - A Estranha


Eu raramente gosto de comentar um filme comparando com o livro que ele foi inspirado ou, pela versão cinematográfica original. Então, se você espera frases manjadas como “No livro a personagem…” ou “O clímax do filme de 1976…” pare de ler por aqui, pois eu vou expor as minhas sinceras opiniões somente sobre esta nova versão. Relendo estas linhas iniciais eu até pareço uma pessoa ranzinza!

Mesmo não querendo fazer uma análise muito profunda, existe uma informação que é essencial e obrigatória de se falar sobre Carrie. Este foi o primeiro livro publicado de Stephen King e o marco inicial que o ajudou a ser um dos principais escritores de todos os tempos. E, apesar de existir a lenda que os filmes baseados em suas obras não são muito bons, ou no português claro, não arrecadam muito dinheiro, eu até que gostei desta nova versão. Numa explicação fria, eu acho que não criar grandes expectativas ajudou consideravelmente a minha opinião. Chega de enrolação e vamos ao filme.

A história começa com a fervorosa religiosa Margaret White, interpretada pela Julianne Moore, dando luz a uma menininha (Carrie). Sua devoção doentia a Deus e seus dogmas quase a fazem matar a criança achando que ela é uma obra do demônio. Entretanto, o amor (sempre ele) impede que o pior aconteça. Só que, imagine passar uma infância e pré-adolescência tendo uma mãe doidona que diz que tudo é pecado e coisas do gênero. Óbvio que a menina cresce bem longe da realidade.

É no colégio, convivendo com pessoas da sua idade, que Carrie (Chloë Grace Moretz) percebe os abusos e loucuras de sua mãe. Inicialmente ela só é ignorada e taxada de alguns apelidos não muito legais, mas, após menstruar no chuveiro depois da aula de educação física, ela vira gozação imediata, inclusive com um vídeo na internet. Revoltada com a atitude das alunas, a professora de educação física resolve tomar uma drástica atitude proibindo a principal rival de Carrie, Chris Hargensen, de ir ao baile de formatura.


Mesmo sentindo muita raiva e humilhação, o incidente acaba trazendo uma coisa boa na vida de Carrie. Ela descobre que possuí poderes telecinéticos, conseguindo mexer objetos com a força do pensamento. Poderes que serão mais do que úteis para serem usados contra a vingança que Hargensen está planejando…



Após assistir Carrie eu imediatamente me lembrei de algumas pessoas que eu conheci na escola. Acho que em todos os colégios devem existir estudantes que simplesmente não se encaixam com os parâmetros que algumas pessoas definem como normais. Infelizmente, para estes deslocados, o colégio é uma época terrível. Eu nunca fiz parte e também nunca quis ser da turminha dos populares, em contrapartida, sempre soube me defender dos babacas ou, simplesmente usar a grande arte de ignorar os otários. Espero, sinceramente, que este pessoal, que passou por coisas terríveis no colégio, estejam bem e que o passado não tenha causado grandes danos…em compensação, torço que os babacas estejam, atualmente, um pior que o outro.

Os Suspeitos

Um dos grandes problemas dos dias de hoje é o sequestro de crianças. Analisando friamente, o desaparecimento é muito pior do que a própria morte. A incerteza e dúvida do que pode ter acontecido com o sequestrado deve corroer o mais esperançoso dos corações. Pesado o assunto? Pois é assim que Os Suspeitos deve ser encarado.

As vezes é bom assistir um filme mais sério para nos lembrar que a vida não é um mar de rosas. Infelizmente, existem muitos vilões pelo mundo, espalhando o mal e fazendo várias vítimas. Esta maldade fria e sombria e suas consequencias é o grande pilar deste filme.

Tudo começa em pleno feriado de ação de graças. Numa cidadezinha pacata do interior do EUA, duas crianças desaparecem deixando poucas pistas. O policial encarregado do caso, Loki (Jake Gyllenhaal), logo encontra o principal suspeito Alex (Paul Dano), mas não consegue tirar muitas informações porque o jovem tem vários problemas psicológicos.


Sem provas concretas, o detetive é obrigado a soltar o suspeito, o que deixa Keller Dover (Hugh Jackman), pai de uma das crianças, muito revoltado. Obcecados em achar as meninas que sumiram, Loki e Dover seguem, cada um por si, a sua própria investigação. Só que um fica dentro da lei e outro não.



Algumas questões morais são levantadas, principalmente quando paramos para analisar o filme após o seu término. A sensação que fica é que todas as regras e bom senso são deixados de lado quando uma grande tragédia acontece, mas não necessariamente é o caminho certo a ser seguido. Com uma direção sem inventar muito e fazendo seus personagens exporem reações que acontecem realmente, o novato diretor Denis Villeneuve entrega um ótimo filme, fazendo com que o espectador sofra e torça muito durante as quase 3 horas de filme.

Thor - O Mundo Sombrio

Assim como a franquia cinematográfica do Homem de Ferro, as aventuras do Thor no cinema seguem um padrão bem familiar. Essa escolha tem o bônus de atingir uma grande massa de espectadores que não acompanham veemente as histórias em quadrinhos, mas tem o ônus de desagradar uma boa parte dos “especialistas” do assunto. Com os retornos financeiros cada vez mais altos usando esta fórmula, só posso concluir que este padrão será mantido.

Esta sequencia começa logo após os acontecimentos de Os Vingadores. O filme inicia com Jane Foster (Natalie Portman) indo até a Inglaterra verificar estranhas energias com a sua assistente, Darcy (Kat Dennings), enquanto o doutor Erik Selvig (Stellan Skarsgard) mostra sinais de loucura após ter a sua mente invadida por Loki (Tom Hiddleston).

Dentro de um prédio abandonado Jane encontra estranhos portais relacionados com o alinhamento dos Nove Reinos. Sem querer, ela entra num deles e acaba sendo contaminada por uma maléfica energia. Toda esta ação faz com que Thor (Chris Hemsworth) retorne a Terra para ajudar a sua amada, mas também faz com que o elfo negro, Malekith, acorde de seu sono profundo.


Thor leva Jane para ser curada em Asgard mesmo a contragosto de seu pai,Odin (Anthony Hopkins). Só que Malekith resolve ir atrás da garota junto com o seu exército para recuperar a terrível energia para, assim, consumir sua vingança contra todos os asgardianos. Percebendo o tamanho do gargalo, o deus do trovão sabe que somente uma pessoa pode ajudá-lo a vencer esta batalha: seu meio irmão, Loki.



Uma aventura curta e bem família, essa talvez seja a melhor definição que eu posso dar para este filme. Como eu sempre gostei de quadrinhos, fico um pouco desapontado quando eu vejo que existia dinheiro e bons atores para uma história mais interessante… Enfim, o jeito é aguardar a próxima sequencia dos Vingadores. Antes que eu me esqueça, tem duas ceninhas após os letreiros.

Obsessão


Definir como normal os desejos e vontades das pessoas é, totalmente, uma questão de ponto de vista. Só que por mais anormal que pareçam, eles são bem reais.E é justamente isto o que os personagens principais de Obsessão tentam mostrar. Mesmo sendo um filme, a história é forte e séria em focar nas necessidades que movem cada figura na trama. Ajudado pelas atuações fantásticas de todos os atores, Obsessão se torna mais um daqueles filmes não famosos que são verdadeiros achados.

Escrito, produzido e dirigido por Lee Daniels (Precisosa), o filme se passa no sul da Flórida em 1960. Após um assassinato de um xerife local, o mau elementoHillary Van Wetter (John Cuzack) é acusado do crime e vai parar atrás das grades.

Acreditando que houve um julgamento precipitado, o jornalista Ward Jansen (Matthew McConaughey), que mora em Miami, retorna para a sua cidade natal para investigar o caso. Ficando hospedado na casa dos seus pais, Ward reencontra o seu irmão, Jack (Zac Efron), que após ser expulso da faculdade, também retornou a cidade para trabalhar com o seu pai, dono do pequeno jornal local.


Para auxiliar na apuração do caso, Ward chama Charlotte Bless (Nicole Kidman) para ajudá-lo. Inexplicavelmente, ela se apaixonou, por meio de cartas, pelo possível criminoso e possuí certas informações que podem auxiliar na investigação, além de ser a chave para conseguir conversar com Van Wetter.


Os cenários da história influenciam muito na trama, assim como toda a importante questão racial que ocorria naquela época. Mas o que define o destino de todos os personagens são os seus desejos mais secretos.  São eles que cedo ou tarde aparecem e determinam a continuidade dos fatos. Pena que nem sempre as consequências de realizá-los são boas, o que deixará muita gente comovida com o final do filme.

Sem Dor, Sem Ganho


Fiquei um belo tempo parado para começar a escrever sobre Sem Dor, Sem Ganho. Tanta reticência se deve a tamanha burrice dos protagonistas do filme. Acho que fico mais revoltado ainda quando lembro que a história é verídica. Mas também, o que esperar de um bando de bombados com sentimentos extremos de patriotismo americano? Pois bem, tudo começa com Daniel Lugo (Mark Wahlberg)dando suas aulas de musculação numa academia em Miami. Mesmo tendo um emprego bom, o estilo de vida dele faz com que sempre precise de dinheiro.

Para resolver este gargalo financeiro ele pensa no plano “infalível” de sequestrar um de seus alunos ricos e pegar todos os seus bens. Para tal estratagema, Lugo chama seu amigo Adrian (Anthony Mackie) e o ex-criminoso viciado Paul Doley (Dwayne “The Rock” Johnson) para ajudá-lo. Depois de um tempo a trupe resolve colocar o seu plano em ação.

Só que o que parecia ser algo fácil e simples se torna um caminho sem volta quando eles conseguem capturar o empresário Victor Kershaw (Tony Shalhoub) que descobre as suas identidades. Sempre focado em seu objetivo, Lugo não medirá esforços e, principalmente, não pensará nas consequências de seus atos para viver o sonho americano. Mesmo que isso signifique quebrar o máximo de leis possíveis.



Não é só a história que é surpreendente, a direção do filme é nada mais nada menos que de Michael Bay. Segurando ao máximo a vontade de explodir as coisas, mas mantendo suas câmeras e luzes que dão sensação de grandeza, o diretor consegue entregar um produto convincente e curioso que cativa o espectador do começo ao fim. Acho que não preciso dizer mais nada, vale a pena assistir este filme.

A Última Viagem a Vegas


A Última Viagem a Vegas não é um filme onde os protagonistas precisam resolver os gargalos criados após uma noitada e, muito menos, um filme sobre senhores arrependidos que usam uma viagem para repensarem suas vidas. A trama é na verdade sobre amigos de longa data, que mesmo vivendo suas respectivas vidas, apoiam um ao outro e nos relembram o significado da amizade verdadeira. Apesar deste meu discurso bonitinho, não precisa se preocupar achando que a história é sentimental demais, o filme é uma comédia e boas risadas estão mais do que garantidas.

A história começa mostrando a amizade de quatro garotos, Billy,Paddy, Archie, Sam e uma menina, Shopie, durante a década de1950. Literalmente, sem delongas, o filme avança 58 anos e mostra que Billy, interpretado por Michael Douglas, virou um bon vivant que namora uma mulher com metade da sua idade. Durante um discurso de funeral ele percebe que finalmente chegou a hora de dar um passo a mais na sua vida e pede a sua namorada em casamento.

Todo casório que se preze precisa ter uma despedida de solteiro, mesmo que o noivo e os padrinhos tenham mais de 60 anos de idade. Sendo assim, Billy chama Archie (Morgan Freeman) e Sam (Kevin Kline/clone de Steven Spielberg) para festejar em Las Vegas antes do casamento. Seu único desejo é que os dois consigam convencer Paddy (Robert De Niro) para que ele também esteja presente.

O começo da viagem já se mostra uma grande missão. Archie mente para o seu filho dizendo que estará num retiro da igreja enquanto Sam recebe uma desconfiada carta branca de sua mulher para aproveitar tudo que Las Vegas pode oferecer. Continuando com as mentiras, os dois amigos convencem Paddy a viajar dizendo que é só uma reunião de amigos e que Bily não estará presente (obviamente a mentira dura somente até o trio pisar no aeroporto da cidade do pecado).


Mesmo com as picuinhas do passado, a dupla tenta se conter e aproveitar os grandes atrativos da cidade. É claro que tudo melhora quando Archie ganha uma grande quantia de dinheiro no cassino que possibilita que eles fiquem numa suíte incrível com acesso as melhores festas.



A maioria das piadas envolve a questão da idade do quarteto com as situações mais voltadas para os jovens. Só que eles sempre dão um jeito de se saírem bem. O problema mesmo é quando Billy e Paddy se apaixonam pela mesma cantora de bar. Esse gargalo amoroso fará antigas mágoas retornarem e colocará uma série de dúvidas na cabeça de ambos.