sexta-feira, 28 de março de 2014

INVOCAÇÃO DO MAL


Não sei o que é mais inacreditável, achar finalmente um filme atual que provoca pequenos sustos e causa alguns arrepios ou tentar lembrar qual foi a última vez que uma história de terror me proporcionou as mesmas sensações. São nestes questionamentos, feitos geralmente naquela hora que você está saindo do cinema, que eu percebo como o gênero de terror está sem credibilidade.

Após o burburinho que Invocação do Mal causou, eu resolvi assistir ao filme com um grande amigo que adora duas coisas; séries de tv e Villa Country. Céticos e descrentes entramos no cinema e tivemos o primeiro susto, uma trupe de adolescentes barulhentos bem na nossa fila (Acho que vale um parêntese sobre isto, esses jovenzinhos que vão assistir filmes de terror em galera disfarçam o medo que sentem com as risadas e gozação excessivas, além de que usam o cinema como pretexto para pegar a bonitinha do colégio… enfim, um risco que todo espectador de salas comercias famosas podem sofrer). E como não é novidade, porque eu falei no parágrafo anterior, o filme realmente merece essa repercussão positiva. Apesar de ser um terror bem psicológico ele entrega o que promete, ou seja, muitos sustos.

Inacreditavelmente o filme é baseado em fatos reais, o que ajuda a aumentar o clima de suspense e medo, óbvio que rola alguns exageros que com certeza não aconteceram, mas na cadeira do cinema isto acaba não importando. A história acompanha o casal de investigadores paranormais Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) desvendando alguns mistérios sinistros, até que, em 1971, eles se deparam com o pior caso que eles enfrentaram ao longo de toda a sua carreira….

Tudo começa quando Roger e Carolyn se mudam, com suas cinco filhas, para uma casa no meio de um mato estranho. Não precisa de uma noite sequer para os fatos sombrios começarem a acontecer. Sons estranhos, objetos se movendo, animais morrendo vão acontecendo e a família vai levando tudo na normalidade, até que realmente alguns fantasmas começam a aparecer, deixando a família mais do que apavorada. E quem é convocado para ajudar? É claro, o casal Warren.

Ufa, usei quase todos os adjetivos ligados ao mundo sobrenatural que eu conheço para escrever estes pequenos parágrafos. A real é que o filme merece ser visto tanto por quem tem medo ou para quem se acha valentão.  O diretor James Wan, do primeiro Jogos Mortais (único que presta da série), vai se firmando como um talento para os filmes do gênero. De lambuja, ainda no final do filme rola uma menção interessante a outro grande clássico do terror, Amityville.

GRAVIDADE


Claustrofóbico, angustiante ou qualquer outro adjetivo relacionado com tensão excessiva se encaixam perfeitamente com este novo filme de Alfonso Cuarón: Gravidade. O diretor mexicano conseguiu apresentar uma experiência única ao recriar, usando imagens e efeitos incríveis, um ambiente tão hostil e mortal como o espaço. Sinceramente, duvido que alguém consiga assistir Gravidade e não se envolver com a história.

Não existe uma grande complexidade na trama, o filme mostra uma equipe de astronautas da NASA fazendo reparos num satélite no espaço. Entre uma piadinha e outra, o grupo é avisado urgentemente que destroços estão indo em sua direção.

Sem tempo suficiente de escapar, eles são atingidos e sofrem consequências mortais, deixando o experiente Matt Kowalski (George Clooney) e a novata doutora Ryan Stone (Sandra Bullock) a mercê do silencioso espaço sideral.

Diferente de outras histórias que conhecemos muito bem o território, o espaço é algo inédito para a maioria (inclusive, continuará deste jeito). Por isso, o apelo visual deste filme é muito forte. Ele é extremamente necessário para todo o entendimento e envolvimento.


Só que esta enorme dependência visual não me deixa entusiasmado em dizer que este é um dos melhores filmes do ano e blá blá blá. Acredito que Gravidade é um filme muito bom, mas só. Eu nunca o indicaria a tantos prêmios como o Oscar 2014 fez. Um filme de Oscar precisa de algo a mais, se apoiar em boas atuações, não sei….talvez eu esteja começando a ficar mais exigente quando o assunto envolve filmes.

FRANKENSTEIN – ENTRE ANJOS E DEMÔNIOS


O comercial de Frankenstein – Entre Anjos e Demônios na televisão tentou aumentar um pouquinho a popularidade do quadrinho que ele é baseado. Eu não estou entre os maiores especialistas de HQs, mas também não sou nenhum neófito para acreditar que esta é a história em quadrinhos mais popular que existe. Com certeza a ideia de incluir esta frase veio da cabeça de algum brilhante diretor de marketing. Talvez por perceber a qualidade ruim do filme ou por se tratar de mais um ser ignóbil tentando lucrar com assuntos que ele não tem o mínimo conhecimento.

Este filme tem uma história tão sem pé nem cabeça que em determinado momento eu achei que estava assistindo Constantine. Os criadores quiseram colocar o lendário personagem numa trama tão fora de sua realidade que o máximo que eles conseguiram foi remexer na minha fúria crítica que estava adormecida e bem guardada.

Tudo começa com aquela origem que todo mundo conhece. Só que em vez de desaparecer junto com seu criador, Frankenstein (Aaron Eckhart) descobre que o nosso planeta é palco de um grande embate entre gárgulas e demônios. Enquanto um lado deseja usá-lo como arma para o bem o outro lado tem interesses escusos nele. Sem querer tomar parte da guerra, Adam – nome que ele recebe da rainha dos gárgulas – resolve caçar sozinho os demônios e viver isolado do mundo.

Só que depois de vários anos ele retorna para consumar sua vingança. Sua capacidade de aniquilar os seres do mal está maior, mas a percepção dos fatos continua zuada… mesmo depois de tanto tempo escondido, os demônios ainda tem planos que ele nem desconfia… Óbvio que toda esta trama colocará o destino do nosso plano astral mais uma vez em xeque.

Um tempo atrás eu fui acusado de pegar muito leve nas minhas críticas. Eu fiquei pensando sobre isso. Será que é porque a minha vida estava ótima ou por que eu já assisti tantos filmes que deixei de ser exigente sempre esperando algo fenomenal? Acho que nenhum dos dois, eu simplesmente acredito que filmes são divertimentos e, pensando deste jeito, eu fico satisfeito na maioria das vezes… achei convincente a minha explicação.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O Jogo do Exterminador

Pode me chamar de falso nerd ou de andarilho desta cultura que eu tanto admiro, mas admito que nunca li nenhum livro de Orson Scott Card, autor e criador das histórias de Ender Wiggin e, considerado, um dos melhores escritores do gênero. Na literatura, tudo começou com 


O Jogo do Exterminador, assim como agora no cinema. Dirigido por Gavin Hood, esta adaptação homônima apresenta uma boa história de ficção científica com grandes possibilidades de se estender por mais alguns filmes.

Como a maioria das histórias de ficção científica, esta também começa há muitos anos adiante no futuro. Em 2086 o planeta Terra é atacado pela raça alienígena Formic. Quando estávamos quase sendo derrotados, somos salvos após o sacrifício do Comandante Mazer Rackham.

Para evitar um novo ataque, as forças militares começam a recrutar crianças com grandes capacidades de estratégia para treiná-las nas melhores táticas de guerra e, assim, se tornarem a principal defesa contra os alienígenas.


Apesar da pouca idade, o cadete Andrew “Ender” Wiggin (Asa Butterfield) começa a se destacar aos olhos do Coronel Hyrum Graff (Harrison Ford). Para Graff, Wiggin tem todas as qualidades e potencial para se tornar o novo comandante da frota. É claro, que mesmo achando isso, o caminho do jovem mancebo não será nada fácil, pelo contrário, ele será testado muito mais duramente para provar que merece liderar toda a frota.



O Jogo do Exterminador pode até parecer infantil, mas seu conteúdo e questões morais não deixam ele se tornar exclusivo ao público mais jovem. Talvez por esta ligeira empolgação, eu tenha conseguido escrever este texto rapidamente após assistir o filme. Como observação final, acho curioso como as tecnologias de produção cinematográficas estão evoluindo num ritmo acelerado. Será, cada vez mais comum, termos adaptações literárias que antes pareciam impossíveis de serem realizadas com qualidade. Espero somente que o hábito da leitura continue e que não seja substituído por somente assistir a versão em filme.

Carrie - A Estranha


Eu raramente gosto de comentar um filme comparando com o livro que ele foi inspirado ou, pela versão cinematográfica original. Então, se você espera frases manjadas como “No livro a personagem…” ou “O clímax do filme de 1976…” pare de ler por aqui, pois eu vou expor as minhas sinceras opiniões somente sobre esta nova versão. Relendo estas linhas iniciais eu até pareço uma pessoa ranzinza!

Mesmo não querendo fazer uma análise muito profunda, existe uma informação que é essencial e obrigatória de se falar sobre Carrie. Este foi o primeiro livro publicado de Stephen King e o marco inicial que o ajudou a ser um dos principais escritores de todos os tempos. E, apesar de existir a lenda que os filmes baseados em suas obras não são muito bons, ou no português claro, não arrecadam muito dinheiro, eu até que gostei desta nova versão. Numa explicação fria, eu acho que não criar grandes expectativas ajudou consideravelmente a minha opinião. Chega de enrolação e vamos ao filme.

A história começa com a fervorosa religiosa Margaret White, interpretada pela Julianne Moore, dando luz a uma menininha (Carrie). Sua devoção doentia a Deus e seus dogmas quase a fazem matar a criança achando que ela é uma obra do demônio. Entretanto, o amor (sempre ele) impede que o pior aconteça. Só que, imagine passar uma infância e pré-adolescência tendo uma mãe doidona que diz que tudo é pecado e coisas do gênero. Óbvio que a menina cresce bem longe da realidade.

É no colégio, convivendo com pessoas da sua idade, que Carrie (Chloë Grace Moretz) percebe os abusos e loucuras de sua mãe. Inicialmente ela só é ignorada e taxada de alguns apelidos não muito legais, mas, após menstruar no chuveiro depois da aula de educação física, ela vira gozação imediata, inclusive com um vídeo na internet. Revoltada com a atitude das alunas, a professora de educação física resolve tomar uma drástica atitude proibindo a principal rival de Carrie, Chris Hargensen, de ir ao baile de formatura.


Mesmo sentindo muita raiva e humilhação, o incidente acaba trazendo uma coisa boa na vida de Carrie. Ela descobre que possuí poderes telecinéticos, conseguindo mexer objetos com a força do pensamento. Poderes que serão mais do que úteis para serem usados contra a vingança que Hargensen está planejando…



Após assistir Carrie eu imediatamente me lembrei de algumas pessoas que eu conheci na escola. Acho que em todos os colégios devem existir estudantes que simplesmente não se encaixam com os parâmetros que algumas pessoas definem como normais. Infelizmente, para estes deslocados, o colégio é uma época terrível. Eu nunca fiz parte e também nunca quis ser da turminha dos populares, em contrapartida, sempre soube me defender dos babacas ou, simplesmente usar a grande arte de ignorar os otários. Espero, sinceramente, que este pessoal, que passou por coisas terríveis no colégio, estejam bem e que o passado não tenha causado grandes danos…em compensação, torço que os babacas estejam, atualmente, um pior que o outro.

Os Suspeitos

Um dos grandes problemas dos dias de hoje é o sequestro de crianças. Analisando friamente, o desaparecimento é muito pior do que a própria morte. A incerteza e dúvida do que pode ter acontecido com o sequestrado deve corroer o mais esperançoso dos corações. Pesado o assunto? Pois é assim que Os Suspeitos deve ser encarado.

As vezes é bom assistir um filme mais sério para nos lembrar que a vida não é um mar de rosas. Infelizmente, existem muitos vilões pelo mundo, espalhando o mal e fazendo várias vítimas. Esta maldade fria e sombria e suas consequencias é o grande pilar deste filme.

Tudo começa em pleno feriado de ação de graças. Numa cidadezinha pacata do interior do EUA, duas crianças desaparecem deixando poucas pistas. O policial encarregado do caso, Loki (Jake Gyllenhaal), logo encontra o principal suspeito Alex (Paul Dano), mas não consegue tirar muitas informações porque o jovem tem vários problemas psicológicos.


Sem provas concretas, o detetive é obrigado a soltar o suspeito, o que deixa Keller Dover (Hugh Jackman), pai de uma das crianças, muito revoltado. Obcecados em achar as meninas que sumiram, Loki e Dover seguem, cada um por si, a sua própria investigação. Só que um fica dentro da lei e outro não.



Algumas questões morais são levantadas, principalmente quando paramos para analisar o filme após o seu término. A sensação que fica é que todas as regras e bom senso são deixados de lado quando uma grande tragédia acontece, mas não necessariamente é o caminho certo a ser seguido. Com uma direção sem inventar muito e fazendo seus personagens exporem reações que acontecem realmente, o novato diretor Denis Villeneuve entrega um ótimo filme, fazendo com que o espectador sofra e torça muito durante as quase 3 horas de filme.

Thor - O Mundo Sombrio

Assim como a franquia cinematográfica do Homem de Ferro, as aventuras do Thor no cinema seguem um padrão bem familiar. Essa escolha tem o bônus de atingir uma grande massa de espectadores que não acompanham veemente as histórias em quadrinhos, mas tem o ônus de desagradar uma boa parte dos “especialistas” do assunto. Com os retornos financeiros cada vez mais altos usando esta fórmula, só posso concluir que este padrão será mantido.

Esta sequencia começa logo após os acontecimentos de Os Vingadores. O filme inicia com Jane Foster (Natalie Portman) indo até a Inglaterra verificar estranhas energias com a sua assistente, Darcy (Kat Dennings), enquanto o doutor Erik Selvig (Stellan Skarsgard) mostra sinais de loucura após ter a sua mente invadida por Loki (Tom Hiddleston).

Dentro de um prédio abandonado Jane encontra estranhos portais relacionados com o alinhamento dos Nove Reinos. Sem querer, ela entra num deles e acaba sendo contaminada por uma maléfica energia. Toda esta ação faz com que Thor (Chris Hemsworth) retorne a Terra para ajudar a sua amada, mas também faz com que o elfo negro, Malekith, acorde de seu sono profundo.


Thor leva Jane para ser curada em Asgard mesmo a contragosto de seu pai,Odin (Anthony Hopkins). Só que Malekith resolve ir atrás da garota junto com o seu exército para recuperar a terrível energia para, assim, consumir sua vingança contra todos os asgardianos. Percebendo o tamanho do gargalo, o deus do trovão sabe que somente uma pessoa pode ajudá-lo a vencer esta batalha: seu meio irmão, Loki.



Uma aventura curta e bem família, essa talvez seja a melhor definição que eu posso dar para este filme. Como eu sempre gostei de quadrinhos, fico um pouco desapontado quando eu vejo que existia dinheiro e bons atores para uma história mais interessante… Enfim, o jeito é aguardar a próxima sequencia dos Vingadores. Antes que eu me esqueça, tem duas ceninhas após os letreiros.

Obsessão


Definir como normal os desejos e vontades das pessoas é, totalmente, uma questão de ponto de vista. Só que por mais anormal que pareçam, eles são bem reais.E é justamente isto o que os personagens principais de Obsessão tentam mostrar. Mesmo sendo um filme, a história é forte e séria em focar nas necessidades que movem cada figura na trama. Ajudado pelas atuações fantásticas de todos os atores, Obsessão se torna mais um daqueles filmes não famosos que são verdadeiros achados.

Escrito, produzido e dirigido por Lee Daniels (Precisosa), o filme se passa no sul da Flórida em 1960. Após um assassinato de um xerife local, o mau elementoHillary Van Wetter (John Cuzack) é acusado do crime e vai parar atrás das grades.

Acreditando que houve um julgamento precipitado, o jornalista Ward Jansen (Matthew McConaughey), que mora em Miami, retorna para a sua cidade natal para investigar o caso. Ficando hospedado na casa dos seus pais, Ward reencontra o seu irmão, Jack (Zac Efron), que após ser expulso da faculdade, também retornou a cidade para trabalhar com o seu pai, dono do pequeno jornal local.


Para auxiliar na apuração do caso, Ward chama Charlotte Bless (Nicole Kidman) para ajudá-lo. Inexplicavelmente, ela se apaixonou, por meio de cartas, pelo possível criminoso e possuí certas informações que podem auxiliar na investigação, além de ser a chave para conseguir conversar com Van Wetter.


Os cenários da história influenciam muito na trama, assim como toda a importante questão racial que ocorria naquela época. Mas o que define o destino de todos os personagens são os seus desejos mais secretos.  São eles que cedo ou tarde aparecem e determinam a continuidade dos fatos. Pena que nem sempre as consequências de realizá-los são boas, o que deixará muita gente comovida com o final do filme.

Sem Dor, Sem Ganho


Fiquei um belo tempo parado para começar a escrever sobre Sem Dor, Sem Ganho. Tanta reticência se deve a tamanha burrice dos protagonistas do filme. Acho que fico mais revoltado ainda quando lembro que a história é verídica. Mas também, o que esperar de um bando de bombados com sentimentos extremos de patriotismo americano? Pois bem, tudo começa com Daniel Lugo (Mark Wahlberg)dando suas aulas de musculação numa academia em Miami. Mesmo tendo um emprego bom, o estilo de vida dele faz com que sempre precise de dinheiro.

Para resolver este gargalo financeiro ele pensa no plano “infalível” de sequestrar um de seus alunos ricos e pegar todos os seus bens. Para tal estratagema, Lugo chama seu amigo Adrian (Anthony Mackie) e o ex-criminoso viciado Paul Doley (Dwayne “The Rock” Johnson) para ajudá-lo. Depois de um tempo a trupe resolve colocar o seu plano em ação.

Só que o que parecia ser algo fácil e simples se torna um caminho sem volta quando eles conseguem capturar o empresário Victor Kershaw (Tony Shalhoub) que descobre as suas identidades. Sempre focado em seu objetivo, Lugo não medirá esforços e, principalmente, não pensará nas consequências de seus atos para viver o sonho americano. Mesmo que isso signifique quebrar o máximo de leis possíveis.



Não é só a história que é surpreendente, a direção do filme é nada mais nada menos que de Michael Bay. Segurando ao máximo a vontade de explodir as coisas, mas mantendo suas câmeras e luzes que dão sensação de grandeza, o diretor consegue entregar um produto convincente e curioso que cativa o espectador do começo ao fim. Acho que não preciso dizer mais nada, vale a pena assistir este filme.

A Última Viagem a Vegas


A Última Viagem a Vegas não é um filme onde os protagonistas precisam resolver os gargalos criados após uma noitada e, muito menos, um filme sobre senhores arrependidos que usam uma viagem para repensarem suas vidas. A trama é na verdade sobre amigos de longa data, que mesmo vivendo suas respectivas vidas, apoiam um ao outro e nos relembram o significado da amizade verdadeira. Apesar deste meu discurso bonitinho, não precisa se preocupar achando que a história é sentimental demais, o filme é uma comédia e boas risadas estão mais do que garantidas.

A história começa mostrando a amizade de quatro garotos, Billy,Paddy, Archie, Sam e uma menina, Shopie, durante a década de1950. Literalmente, sem delongas, o filme avança 58 anos e mostra que Billy, interpretado por Michael Douglas, virou um bon vivant que namora uma mulher com metade da sua idade. Durante um discurso de funeral ele percebe que finalmente chegou a hora de dar um passo a mais na sua vida e pede a sua namorada em casamento.

Todo casório que se preze precisa ter uma despedida de solteiro, mesmo que o noivo e os padrinhos tenham mais de 60 anos de idade. Sendo assim, Billy chama Archie (Morgan Freeman) e Sam (Kevin Kline/clone de Steven Spielberg) para festejar em Las Vegas antes do casamento. Seu único desejo é que os dois consigam convencer Paddy (Robert De Niro) para que ele também esteja presente.

O começo da viagem já se mostra uma grande missão. Archie mente para o seu filho dizendo que estará num retiro da igreja enquanto Sam recebe uma desconfiada carta branca de sua mulher para aproveitar tudo que Las Vegas pode oferecer. Continuando com as mentiras, os dois amigos convencem Paddy a viajar dizendo que é só uma reunião de amigos e que Bily não estará presente (obviamente a mentira dura somente até o trio pisar no aeroporto da cidade do pecado).


Mesmo com as picuinhas do passado, a dupla tenta se conter e aproveitar os grandes atrativos da cidade. É claro que tudo melhora quando Archie ganha uma grande quantia de dinheiro no cassino que possibilita que eles fiquem numa suíte incrível com acesso as melhores festas.



A maioria das piadas envolve a questão da idade do quarteto com as situações mais voltadas para os jovens. Só que eles sempre dão um jeito de se saírem bem. O problema mesmo é quando Billy e Paddy se apaixonam pela mesma cantora de bar. Esse gargalo amoroso fará antigas mágoas retornarem e colocará uma série de dúvidas na cabeça de ambos.

Jack Reacher - O Último Tiro


É bem comum hoje em dia os trailers mostrarem as melhores cenas dos filmes ou contarem a trama de tal forma que o final vira previsível. Só que em Jack Reacher acontece justamente o contrário! Quando eu assisti o trailer fiquei com a impressão de ser um filme bestinha, onde Tom Cruise era um fodão qualquer que buscava vingança contra alguns bandidões e, no final, escapava ileso e ainda ficava com a loira. Como o filme acabou sendo lançado juntamente com outros que eu queria ver, eu acabei deixando para assisti-lo em DVD e, por isto, demorei tanto tempo para perceber que eu estava errado… Sim, caro amigo, o mundo dos trailers ainda reservam algumas surpresas.

O filme é uma adaptação do livro One Shot, de Lee Childs, publicado em 2005 e começa com cenas bem fortes. Sem mais nem menos, um atirador pega uma sniper e mata cinco pessoas aleatórias antes de fugir. Durante a investigação policial, o detetive Emerson (David Oyelowo) encontra provas que incriminam o ex-militar, James Barr. Durante o interrogatório, Barr não abre a boca e só pede que tragam Jack Reacher, também um ex-soldado das forças especiais, que por sinal já estava a caminho antes da convocação.


Durante uma locomoção de prisioneiros, Barr acaba sendo atacado por outros presos e entra em coma, impossibilitando qualquer tentativa de conversa entre ele e Reacher. Intrigado com o caso, Jack começa a trabalhar com a advogada de defesa, Helen Rodin (Rosamund Pike), para livrar o acusado da pena de morte.Não precisa ser nenhum Jack Reacher para perceber que algo não está se encaixando no crime. Desde a primeira cena, o telespectador percebe que não foi James Barr que cometeu a atrocidade. O que nós só entenderemos com a ajuda de Reacher são os motivos que levaram misteriosas pessoas a causarem todo esse rebuliço.


Como eu disse no começo, eu gostei do filme e até me arrependi de não ver na telona de um cinema confortável com pipoca e refrigerante sem gás. Aparentemente eu não fui o único que gostou, a boataria está forte a respeito de uma continuação, o provável livro que continuará as aventuras de Jack Reacher no cinema será Never Go Back, lançado nas livrarias em setembro deste ano. Este eu assistirei no cinema!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Rush – No Limite da Emoção


Inacreditável como até mesmo uma história sobre pilotos de automobilismo pode servir de lição. Rush – No Limite da Emoção conta mais do que a rivalidade entre Niki Lauda e James Hunt. Ele mostra duas formas de encarar a vida; racionalmente e emocionalmente. Os mais críticos podem fechar o seu pensamento dizendo que se trata de um esporte praticado por ricos e ignorar as coisas boas ali presente, mas a verdade é que o diretor Ron Howard acertou mais uma vez e ainda conseguiu deixar boas mensagens subentendidas.

A grande tacada de Howard foi incluir o verdadeiro Niki Lauda em todas as fases do filme. Do roteiro aos dias de filmagem, o ex-piloto compartilhou suas experiências e ajudou a deixar a história mais verídica possível. O filme começa mostrando os dois pilotos ainda na Fórmula 3, quando Hunt (Chris “Thor” Hemsworth) já era um bon vivant conhecido e Lauda (Daniel Brühl) era somente um austríaco recém chegado as pistas.



Sendo mais frio e estrategista, Lauda consegue chegar antes na Fórmula 1 após comprar um lugar numa equipe fraca. Apoiado em seus talentos, o cara de rato logo consegue uma transferência para a grande Ferrari. Neste período, Hunt também consegue chegar a Fórmula 1 só que numa equipe pequena, deixando assim o caminho livre para Lauda conseguir o seu primeiro campeonato mundial.

No ano seguinte, é a vez de James Hunt ir para uma equipe grande (McLaren). Os dois travam grandes duelos na pista e fora delas com suas convicções de vida. Enquanto Lauda, sempre contido, não aceita mais do que 20% dos riscos, Hunt vive cada dia como o último.  No meio do campeonato, uma grande tragédia acontece com Niki Lauda. Seu carro pega fogo e seu corpo fica bastante queimado.



A imensa luta de Lauda para tentar voltar as pistas e se tornar campeão mundial novamente é mostrada com muitos detalhes. Seu sofrimento e sentimento competitivo abrangem grande parte do filme. Ambos os pilotos, com suas diferenças, não se importavam muito com suas vidas pessoais, e aí podemos perceber que não podemos ser somente racional ou emocional, para uma vida boa é necessário um pouco de cada.

Dose Dupla


Depois de uma semana estressante, querendo matar o primeiro ser babaca que eu encontrasse na frente, eu saí do trabalho e resolvi assistir um filme de ação, na vida real ou na ficção, cabeças iam rolar. Por sorte acertei na escolha.  Dose Dupla, aparentemente, era mais um daqueles filmes onde os mocinhos matam todo mundo enquanto fazem piadas infames, na verdade ele é tudo isso, mas acrescente uma história bacana de pano de fundo e dois atores muito bons como protagonistas, Denzel Washington e Mark Wahbelrg.

Os tiroteios… ops… a história começa com os bandidos Robert Trench (Washington) e seu parceiro Michael Stigman (Wahlberg) negociando passaportes falsos, com um grande traficante mexicano, em troca de cocaína. Depois de conseguir dinheiro em vez da droga, descobrimos que Trench é um agente da DEA. Precisando de novas provas, o agente disfarçado decide roubar um banco onde o rei do cartel esconde uma parte do seu dinheiro, de lambuja ele incriminaria Stig e resolveria perfeitamente o caso.


Só que nesta história não existe somente um mentiroso em relação a verdadeira identidade. Após o roubo, Stig também se revela ser um agente disfarçado que está atrás do mesmo traficante. Complicando mais ainda a trama, no banco eles roubaram muito mais dinheiro do que achavam que tinha, o que fará os verdadeiros donos irem atrás dos dois.


A expressão “é uma cilada, Bino” pode ser usada em várias partes do filme. A dupla sobrevive com esperteza e astúcia em cada mudança na trama. Apesar da maioria das surpresas serem fáceis de prever, Dose Dupla foi uma boa escolha, afinal de contas, tiros e explosões sempre ajudam a esquecer o stress da vida real.

Elysium


Os filmes de ficção científica são naturalmente complicados. Eles lidam com histórias, tramas e tecnologias mirabolantes e, na maioria das vezes, impossíveis para a época que eles são assistidos. Só que os bons filmes deste gênero conseguem deixar estes obstáculos para trás, o que, infelizmente não aconteceu em Elysium.

As peças da engrenagem do filme eram promissoras. O diretor Neil Blomkamp do ótimo Distrito 9; Matt Damon doidão; Wagner Moura no seu primeiro papel em Hollywood; e coadjuvantes muito talentosos como Jodie Foster, Alice Braga, Diego Luna e o irreconhecível Sharlto Copley. A história em si que acaba sendo fraca mesmo. Sem muito sentido e se perdendo nos detalhes, todos os porquês do filme viram banalidades e desculpas para assistirmos algumas ideias tecnológicas malucas.

O filme se passa em 2154. A Terra se tornou um grande centro de pobreza, virando um grande “planeta” de terceiro mundo.Todas as pessoas ricas e abastadas vivem num complexo espacial chamado Elysium. Lá eles são rodeados por robôs que cuidam de tudo, principalmente de suas doenças.

Max(Damon) é um ex-criminoso que tenta levar uma vida justa trabalhando numa industria de robôs. Ele realmente tenta, até ser contaminado por uma alta dose de radiação e ficar a cinco dias da morte certa. Desesperado, ele procura Spider (Moura), um líder cibernético do submundo, para levá-lo até Elysium onde ele poderá ser curado.



Só que o caminho da cura não é tão simples (nunca é). Max tem que sequestrar um alto executivo para conseguir viajar até a estação espacial. Até aí tudo fácil, o que ele não esperava, é que o tal moço estivesse em poder de dados tão importantes que fariam ele próprio ser caçado em todos os quatro cantos da Terra e de Elysium.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Ataque


É bem normal um filme trazer várias referências a outros mais antigos que só vimos em vídeo-cassete, DVD ou nos canais a cabo. Por este argumento e assistindo O Ataque eu começo a perceber que estou ficando velho. O filme e seu personagem principal são inspirados claramente num grande ícone da minha infância,

 John McClane. Desde a regata branca, os problemas familiares, o primeiro nome igual e, principalmente a história, o herói vivido por Channing Tatum faz alusão aos filmes da série Duro de Matar. Como um grande fã de filmes deste tipo, eu não me incomodo nem um pouco com todas essas referências, sobretudo porque eu assisti e gostei do filme.

A trama tem algumas questões atuais. Ela começa com o Presidente dos EUA, James Sawyer (Jamie Foxx), planejando a paz no Oriente Médio com a retirada das tropas americanas e uma série de ações diplomáticas. Paralelamente a este fato histórico, o segurança John Cale (Tatum) consegue uma entrevista de emprego na Casa Branca para o serviço secreto.

Já imaginou o que vai acontecer, não? Uma turminha obviamente não gostou das ideias do Presidente e resolvem tomar a Casa Branca bem quando John está presente (até rimou). Mas assim como McClane, a família de Cale também vai dificultar sua missão. Tentando agradar a sua filha, Emily, John a leva para um tour pela casa presidencial e, ela acaba sendo sequestrada pelos bandidos.


A trama ainda dá mais uma complicada quando os responsáveis mostram que não são terroristas e suas reais identidades e motivos permanecem um mistério. Em resumo, salvar o dia não será tão fácil. Só mesmo um discípulo de John McClane estará apto para vencer tamanho desafio e, ainda por cima, fazer piadinhas com a situação.


Todo este enredo hollywoodiano poderia se tornar um filme mediano e sem emoção. Mas nas mãos do diretor Roland Emmerich ele vira um show de explosões e destruições que a maior expectativa é proporcionar duas horas de emoção, pulos nas cadeiras e desprendimento total da realidade, mesmo com tantos clichês.